Dentre tantas preocupações da grávida nesse momento, uma delas são as taxas de TSH sendo produzido no corpo.
TSH ou hormônio estimulante da tireoide é um hormônio produzido pela hipófise e tem como função estimular a tireoide a produzir seus hormônios T3 e T4, glândula localizada na região anterior do pescoço. Estes hormônios são essenciais para manter o metabolismo energético do corpo.
O exame de TSH ultra sensível é usado para medir as concentrações de TSH no sangue e detectar qualquer alteração no funcionamento deste mecanismo, como por exemplo hipotireoidismo e hipertireoidismo. Este exame é solicitado pelo clínico geral, endocrinologista e/ou obstetra em caso de gravidez. É nomeado ultra sensível pois é capaz de detectar níveis bem baixos de TSH, como 0,1 mIU/L.
Mesmo que não haja casos anteriores na família, é importante fazer o eventual acompanhamento do funcionamento da tireoide. Caso esteja grávida ou tentando engravidar, este exame ajuda a investigar problemas relacionados a fertilidade da mulher.
Quando o TSH está elevado, pode indicar uma baixa produção de T3 e T4 pela glândula tireóide, podendo caracterizar um hipotireoidismo e metabolismo mais lento. Quando os níveis de TSH no sangue estiverem diminuídos, podem indicar alta produção de T3 e T4, caracterizando hipertireoidismo e metabolismo mais acelerado.
A Síndrome de Hashimoto é uma doença auto-imune que se dá quando a glândula tireoide inflama e leva a uma alta produção de T3 e T4. O organismo entende como se fosse um inimigo e começa a produzir anticorpos que atacam a glândula e acabam por consequência levando a um quadro de hipotireoidismo.
A gravidez é um fator por si só estressante para a tireoide, pois a glândula tem que produzir cerca de 50% a mais de hormônio para conseguir manter o balanceamento hormonal e energético do corpo da mãe e do bebê. Os resultados esperados das concentrações de TSH no sangue durante a gravidez varia de acordo com o período gestacional:
| Primeiro trimestre | 0,3 ‑ 4,5 mIU/L |
| Segundo trimestre | 0,3 ‑ 4,6 mIU/L |
| Terceiro trimestre | 0,8 ‑ 5,2 mIU/L |
Se o nível de TSH está alto na gravidez (caracterizando hipotireoidismo), seja por mau funcionamento ou pela Síndrome de Hashimoto (causa mais comum de hipotireoidismo na gravidez), o risco de aborto espontâneo é aumentado em até três vezes. Além disso, aumenta a probabilidade de parto prematuro e o bebê pode nascer menos ativo. Há também estudos que relatam o risco para hemorragia pós-parto, hipertensão durante a gestação (risco de eclâmpsia), anemia e descolamento de placenta, e alguns estudos associam isto uma maior dificuldade da criança em aprendizado e memorização.
Por isso, é imprescindível acompanhamento médico desde o momento da descoberta da gestação e cumprimento de todo o pre-natal conforme indicado pelo especialista. Nunca tome remédios sem orientações ou tire conclusões precipitadas. E lembre que sua saúde mental neste momento é quase tão importante quanto sua saúde física.
